
Tratamentos
Ansiedade e tensão constantes
A ansiedade é um dos principais sintomas relatados por mulheres e ocorre em proporções significativas. Pesquisas indicam que transtornos de ansiedade figuram entre as queixas mais frequentes, com taxas mais elevadas em mulheres do que em homens, e muitas vezes organizada por repetição de antecipações de perigo, medo internalizado e tensão crônica que compromete o sono, a concentração e a vivência de si mesmas.
Esse quadro se manifesta como inquietação persistente, sensação de desamparo interno ou medo difuso que não responde a explicações racionais, mas que estrutura a vida diária de modo opressivo.
Depressão e estados de esvaziamento
Depressão e estados afetivos de baixa energia, tristeza profunda ou perda de sentido são frequentes entre mulheres — em alguns estudos, relatos de transtornos mentais, incluindo depressão, atingem mais de 40% da população feminina em contextos de sobrecarga e pós-pandemia. Esses quadros aparecem como:
• perda de interesse nas atividades que antes davam prazer
• sensação de vazio que persiste
• dificuldade em manter vínculos emocionais
• perspectivas sombrias ou autoavaliação negativa persistente
São modos de sofrimento que não se resolvem apenas com reorganização comportamental, pois representam transformações profundas no vínculo que a mulher mantém consigo mesma.
Trauma e experiências de violência
Mulheres chegam à análise marcadas por experiências que ultrapassaram sua capacidade de simbolização. Violências explícitas ou sutis, abusos, invasões e perdas deixaram marcas que não se organizaram como lembrança, mas como modo de funcionamento psíquico.
O trauma não se apresenta apenas como memória dolorosa. Ele se inscreve como repetição, como dificuldade de estabelecer vínculos, como corpo em estado permanente de alerta, como angústia que retorna sem nome e sem causa aparente. O sofrimento que emerge não é o passado em si, mas aquilo que permaneceu sem elaboração e segue operando no presente.
Relacionamentos repetitivos e padrões afetivos dolorosos
Uma queixa central no consultório é a dificuldade de romper ciclos de relações que se repetem e que causam sofrimento: vínculos com parceiros abusivos, apego a figuras indisponíveis afetivamente ou retorno a relações que não nutrem, mas que continuam presentes no laço psíquico.
Esses padrões não são falhas de escolha, mas modos inconscientes de organização relacional que apenas um trabalho profundo pode desatar.
Conflitos entre desejo e obrigação
Muitas mulheres chegam percebendo um abismo entre o que desejam para si e o que se sentem obrigadas a fazer — seja pela demanda familiar, social, profissional ou pelo desempenho constante de papéis de cuidado.
Esse conflito entre desejo e obrigação cria um nó psíquico que se manifesta como ansiedade, sensação de fracasso, insatisfação crônica ou corpo que responde com dores sem causa orgânica clara.
Esgotamento emocional e colapsos silenciosos
Grande parte das mulheres que procuram análise relata exaustão profunda, sensação de “estar funcionando no automático” e episódios de colapso que surgem após longos períodos de esforço contínuo. Essa exaustão não é apenas cansaço: é organização psíquica em que o corpo e a mente sinalizam um impasse estrutural não resolvido.
Sintomas psicossomáticos, insônia e perda de foco
Nas análises, é comum que o sofrimento se manifeste como sintomas corporais — dores crônicas, distúrbios do sono, alterações de apetite — que não se explicam apenas por causas médicas, mas pelo modo como a vida psíquica delas se organiza em torno de demandas inconscientes.